Encontro realizado pela FEDF neste domingo (13) reuniu cerca de 350 jovens
Alegria, tristeza, raiva, medo, surpresa, nojo, ansiedade... parece até o filme “Divertida Mente”, mas são apenas emoções que todos nós sentimos pelo menos uma vez por dia. Na Confraternização de Juventudes Espíritas do Distrito Federal e Entorno (COJEDF) de 2026, cerca de 350 jovens, de diferentes casas espíritas, foram convidados a identificar as próprias emoções e a intensidade delas e descobrir como transformá-las em instrumentos de autoconhecimento.
Com o tema “Viver, sentir e seguir: Navegando um mar de emoções”, o encontro, realizado neste domingo (13), trouxe a saúde mental para o centro das atividades e reflexões. Organizada pela Federação Espírita do Distrito Federal (FEDF), a edição 2026 da COJEDF aconteceu no Centro de Ensino Médio Integrado (CEMI), no Cruzeiro, em um dia de muita alegria, reencontros, dinâmicas, música, comida e, claro, muita diversão! Além dos jovens, participaram 211 trabalhadores, 29 coordenadores ou membros da família e 26 crianças.
Já no início do evento, a alegria cristã colocou todo mundo para cantar e dançar ao som das tradicionais músicas espíritas: Reencarnação, Dona Morte, Flutuar e Alegre Evolução, com direito a coreografia sincronizada. Quem esteve no ginásio do CEMI Cruzeiro sentiu a energia de uma multidão de jovens. Foi de arrepiar! E nesse clima de alegria, a equipe do Cerimonial deu o start nas reflexões: “Sua chama está acesa?” E ainda lembrou que, nessa travessia, Jesus está no leme e cada um é o guia da sua própria embarcação.
“É um encontro maravilhoso, um momento muito rico. É nítido o quanto a gente se eleva quando está junto. A presença de cada um é muito importante e faz toda diferença, somos todos uma grande família”, disse a diretora da Área da Família da FEDF, Geovânia Soares.
E se a missão era navegar, todo mundo embarcou nessa travessia. Durante o dia, os jovens foram estimulados a perceber, compreender, cuidar, experimentar e interiorizar as emoções. A ideia foi mostrar que sentir é uma experiência naturalmente humana e que reconhecer o que acontece dentro de nós é o primeiro passo para lidar com as emoções de maneira mais consciente e equilibrada.
“O tema deste ano foi inspirado na saúde mental. Passamos por uma sequência de atividades que levou o jovem a compreender as próprias emoções. Nosso principal objetivo foi fazer com que ele saísse daqui entendendo que pode e deve expressar o que sente, porque isso é natural, mas também refletindo sobre como responder a essas emoções no dia a dia e quais ferramentas existem, dentro e fora da Doutrina Espírita, para cuidar delas”, explicou o coordenador da equipe Doutrinária, Rubens Costa.
Doutrinária – O destino da viagem dessa COJEDF foi o Posto de Tratamento Emocional e Espiritual, ou melhor, a “Colônia Tiberíades”, que foi criada especialmente para esse encontro. A diretora adjunta do DIJ FEDF, Lucinéia Vieira, destacou que a inspiração para a colônia surgiu a partir das passagens de Jesus pelo mar da Galileia e da ideia de mostrar que, mesmo diante das tempestades e do mar revolto, Jesus surge para acalmar tudo ao redor.
Segundo Lucinéia, a partir desse enredo, a equipe Doutrinária buscou incluir a experiência do universo lúdico da escola de aperfeiçoamento “Evolare”, já conhecida pelos jovens que participaram da COJEDF do ano passado, para outras casas: Lumina, Tellus, Alvora e Serenis. “O objetivo era que a Evolare visitasse Tiberíades, um local onde são tratadas as emoções que a alma ainda não compreendeu. No posto de assistência, os jovens foram recebidos para iniciar a jornada e participaram dos estudos e atividades sobre as emoções nas áreas de edificação”, esclareceu a diretora adjunta, emocionada.
E com o olhar voltado para si mesmos, os jovens começaram as atividades da manhã. A missão foi identificar as emoções, reconhecer a intensidade e perceber como elas se manifestam. Entre as reflexões propostas, duas frases deram o tom para uma parte das atividades: “Sentir não é sinal de fraqueza. É sinal de que algo dentro de nós precisa ser compreendido” e também “O problema não é sentir. É não saber o que fazer com o que sentimos”. Depois da teoria veio a prática: os jovens receberam personagens para analisar e elaborar um relatório de estudo emocional e espiritual e um plano de cuidado integral.
O jovem Cristian Alerrandro, de 15 anos, do Instituto Espírita e Assistencial Emmanuel (INEAE), participou pela primeira vez da COJEDF e aprovou a experiência. Ele contou que gostou do conteúdo, dos facilitadores, das brincadeiras e de conhecer pessoas novas. Segundo ele, durante as aulas aprendeu quem é sua âncora: Deus.
João Guilherme Pin, de 21 anos, do Grupo Assistencial Francisco de Assis (GASFA), também estreou no evento, mas viveu uma experiência diferente: sua primeira participação também foi a última. “É um evento muito legal, um reencontro com nossos sentimentos. E apesar de tratar isso na minha vida pessoal com leveza, muito do que a gente falou no primeiro momento me mostrou que tem muita coisa que preciso resolver. Fomos muito acolhidos e incentivados a nos expressar”.
Gincana – Depois de uma manhã de reflexões e de um almoço delicioso, os jovens foram divididos por equipes, de acordo com os símbolos indicados nos crachás, entre eles onda, vela, bússola e âncora para iniciar uma gincana com foco na cooperação interna, curiosidade, decisão e sentido coletivo. O objetivo foi colocar em prática os conceitos “perceber, compreender e cuidar”. Dentre os desafios, teve montagem de quebra-cabeça, identificação de frases de acordo com as emoções e até corrida do ovo na colher.
Meditação – E para acalmar o mar agitado depois de uma atividade calorosa, a equipe Doutrinária conduziu uma meditação com foco no “olhar para dentro de si”. Juntos, todos formaram um oceano de propósitos, simbolizando que cada história é única, mas todas fazem parte de uma mesma travessia de crescimento, cuidado e esperança. O momento foi envolvido pela música “Mar da vida”, de Allan Filho.
A atividade reforçou uma das principais mensagens dessa COJEDF: sentir não é sinal de fraqueza nem de desequilíbrio moral. As emoções fazem parte da experiência humana e podem se tornar importantes instrumentos de autoconhecimento quando acolhidas com responsabilidade, discernimento e esperança.
Os jovens não foram embora da Colônia Tiberíades de mãos vazias. Todos receberam um Kit de Primeiros Socorros Emocionais, como símbolo de que existem recursos e redes de apoio para que continuem a navegação.
Formatura – Para alguns, a COJEDF 2026 marcou o final de uma travessia e começo de outra. Aos 21 anos, 17 jovens se despediram como participantes na tradicional cerimônia de formatura. O momento, que se repete há anos, simboliza o encerramento de um ciclo e abre caminho para os jovens se tornarem futuros trabalhadores em suas casas e, claro, nos eventos espíritas.
Letícia Canton, da Casa Espírita Fonte de Esperança (CEFE), participa da COJEDF desde os 12 anos e ressaltou a importância do encontro para o amadurecimento pessoal. “O meu autoconhecimento vem sendo construído durante nove anos. Aqui é um espaço de muita aprendizagem. Estou triste porque vou me formar, mas sei que isso abre espaço para novos olhares. Se antes eu tinha um olhar como jovem, a partir de agora terei como trabalhadora”.
A jovem Letícia já trabalhou na equipe da Comunicação em outras oportunidades, como Youtuber, e pretende se tornar trabalhadora após a formatura. “Quando a gente é participante fica só nas salas. Trabalhando conseguimos ver o quão grande é o evento, quantas pessoas se unem para fazer ele acontecer. Conheci várias frentes de trabalho e agora vou poder escolher onde quero contribuir”.
Encerramento – A COJEDF 2026 se despediu em um clima emocionante e deixou como mensagem-chave que não devemos afastar as emoções, mas reconhecer que elas existem e que não estamos sozinhos no mar. “As ondas fazem parte da travessia, mas não precisam determinar quem somos, nem para onde vamos”.
Até 2027!
Sobre a COJEDF
A Confraternização de Juventudes Espíritas do Distrito Federal (COJEDF) é um evento organizado pela Federação Espírita do DF desde 1974. Ela reúne jovens de 12 a 21 anos, das instituições espíritas do DF, a fim de incentivá-los a novas e profundas reflexões sobre o seu papel no mundo atual e na construção da sociedade do porvir, além de estimulá-los a despertar a consciência para ser um Homem de Bem. É uma atividade do Movimento Espírita e envolve cerca de 500 jovens e 200 trabalhadores voluntários.
Por Camila Queiroz
Revisão de Lílian Reis